março 18, 2018

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maravilhar-te as insónias
com o paciente crepúsculo da idade
acordar fora do corpo esquecer o olhar
sobre o pêlo ruivo dos animais beber
o fulgor das estrelas no esplendor da alba
nomear-te
para recomeçarmos juntos a vida toda

ensinar-te o segredo dos alquímicos minerais
acender-te um pouco de culpa
na imatura paisagem do coração

eis a travessia que te proponho
amanhecer sem querermos possuir o mundo
e no orvalho da noite saciar o desejo adiado
respirar a músca inaudível das galáxias
sentir o tremeluzir da água no medo da boca

o amor
deve ser esta perseguição de sombras
esta cabeça de mármore decepada
ou este deserto
onde o receio de te perder permanece oculto
na sujidade antiga dos dias

Al Berto | O medo | Assírio&Alvim | 1997

março 07, 2018

PLAY Linda Martini | Boca de sal

Não me dou ao luto.
Da taça ergo,
em dois.

fevereiro 28, 2018

PLAY Ornatos Violeta | Chuva

Porque há sempre obras na casa,
a destruir a poesia dos lugares.

fevereiro 22, 2018

fevereiro 20, 2018

©Bruno Barbey | 1979 | PORTUGAL. Minho region. Town of Trofa, near Barcelos. Catholic pilgrimage

PLAY Madredeus | Canção do Tempo

"Pergunto-me então o que vem a ser o tempo, e descubro que não passa do consolo que nos resta por não durarmos sempre."

"Estou, afinal, perto do mar e da sua ciência. Ninguém pode exigir ao mar que traga todos os barcos, ou ao vento que encha todas as velas."

PLAY Sitiados | Amanhã

fevereiro 10, 2018

novembro 03, 2017

A arte de simplificar

A arte de simplificar ou quantas voltas dá "1+2" para ser "3"!

outubro 25, 2017

outubro 24, 2017

PLAY Bernardo Sassetti | Canço Nr. VI & Historia de Amor

De pedra em pedra
Te peço

Não morras de sede

Ou de luz


Daniel Faria (1971 -1999) | Poesia | Edições Quasi | 2006
©Martine.Franck | Paris | 1977

Explicação do poeta

Pousa devagar a enxada sobre o ombro
Já cavou muito silêncio

Como punhal brilha em suas costas
A lâmina contra o cansaço

Daniel Faria (1971 -1999) | Poesia | Edições Quasi | 2006

outubro 23, 2017

outubro 22, 2017

outubro 19, 2017

*Wim Wenders, "Paris, Texas"

outubro 17, 2017

©João_Diogo

outubro 16, 2017

©Paweł Kuczyński


outubro 12, 2017

PLAY Tindersticks |  A nigth in

"Não sou astrólogo nem bruxo.
Uma vaga impaciência na voz.
Se adivinhasse o futuro...
Sabes o futuro até certa altura. Não faças batota.
Identificas-me contigo e falas de batota abusivamente. Confundes duas ordens de sonhos, esqueces metamorfoses irremediáveis, unificas o tempo, não consultas ninguém. Em termos rigorosos: só sei o teu passado. Onde está a batota?"

Carlos de OliveiraFinisterra paisagem e povoamento | Sá da Costa Editora | 3a. Edição | 1979

outubro 11, 2017



PLAY Pēteris Vasks | Plainscapes (Lidzenuma ainavas) for choir, violin, and cello

Como fractais,
em terceira pessoa do plural.

Estrangeiros do tempo,
escravos rarefeitos,
errantes imortais, 
de carne no osso.

[#1] Diálogo

"- A razão não é o único meio de dois seres se entenderem."
Robert Musil (1880-1942) | O Homem sem Qualidades |Dom Quixote | 2014 (4.ª Ed.)
(Trad. João Barrento)

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"Uma coisa fiquei a saber: é falso que alguém se entenda falando." 
Adolfo Bioy Casares (1914 -1999) | Dormir ao sol | Editorial Estampa |1980