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abril 04, 2015

Wisława Szymborska

Wisława Szymborska (Polónia, 1923-2012)  
"Há indivíduos que servem para a reprodução e para serem fotografados. Como certas montanhas para certos turistas, e certas espécies animais em certos cios musculados.
   Os canos da cidade são falsificados como as notas, oferecem-te água e roubam os restantes elementos. Porque não há torneiras de terra, ou ar, nem, claro, de fogo. E tal facto mostra como a cozinha do cidadão se encontra afastada da Natureza.
   Até à véspera nenhuma torneira deitara sangue."

Gonçalo M. Tavares, Biblioteca, Campo das Letras, 2006

março 23, 2015


©raquelsav. Muzeum Kinematografii. Lodz (Polónia) 20 Março 2015
(...)
Prefiro os zeros à solta
a tê-los numa fila junto ao algarismo.
Prefiro o tempo do insecto ao tempo das estrelas.
Prefiro fazer isolar.
Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.

Prefiro levar em consideração até a possibilidade
do ser ter a sua razão.

Extracto de POSSIBILIDADES de 

Wislawa Szymborska (Trad. Aleksandar Jovanovic e Henry Siewierski)
Rosa do Mundo- 2001 poemas para o futuro. 2001. Assírio&Alvim

março 21, 2015

Alguns gostam de poesia
Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.
Wislawa Szymborska