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outubro 01, 2016

outubro 05, 2015

©Imogen Cunningham Magnolia Blossom, 1925
PLAY Laurie Anderson Big Science

Esvaziamos o mundo
e há um caule em flor.

A ausência inscreve-se
num tempo que passa
e não pára em nós
        [: o milagre que fomos depura-nos
         mas não nos faz avançar].

Matamos a sede e a fome
numa seiva que não sacia.
Vamos morrendo.

Famintos,
lamentamos que o Amor-Perfeito seja uma flor
que não sabemos cuidar.

Indiferentes,
esvaziamos o mundo com o seu caule.

fevereiro 27, 2015

©Richard Avedon
Samuel Beckett em Paris (13 de Abril de 1979) 
PLAY Laurie Anderson From the Air

CAINDO
1
porque não apenas o renunciado
ensejo de
derramar palavras

Não é melhor abortar do que ser estéril?

quando te vais as horas são de chumbo
começam a arrastar-se cedo em demasia
fateixas que cegamente dilaceram o leito do anseio
trazendo à luz os ossos os amores antigos
órbitas outrora habitadas por olhos como os teus
e sempre será melhor demasiado cedo do que nunca
o negro anseio a esparrinhar o rosto
repetindo nunca o amado flutuou nove dias
nem nove meses
nem nove vidas

2
repetindo
se não me ensinares não aprenderei
repetindo há uma vez derradeira
mesmo para as últimas vezes
últimas vezes para implorar
últimas vezes para amar
para saber não saber fingir
um fim até para as últimas vezes de dizer 
se não me amas não serei amado
se eu não te amar então não amarei

o revolver de palavras caducas no coração
amor amor amor baque do velho êmbolo
pisando o inalterável
coalho das palavras

o terror renovado 
de não amar
de amar e não seres tu
de ser amado sem ser por ti
de saber ignorar fingir
fingir

eu e todos os mais que te amarão
se te amarem

3
a não ser que te amem

Samuel Beckett Poemas Escolhidos- Cadernos de Poesia 10
Publicações Dom Quixote, 1970