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outubro 01, 2016

julho 29, 2015

PLAY Rachmaninov- Vocalise for Violin

Contamos as letras às palavras, nas histórias que não escrevemos. E enchemos os pulmões para as declamar. As histórias já não se escrevem a caneta. Tampouco de palavras. As histórias escrevem-se de ausência em ausência, na exacta medida da descoberta do que nos faz respirar. Em cada respiração da palavra que não escrevemos, da palavra que ainda não existe mas que, no intervalo, havemos de inventar.

E perdemo-nos entre elas. Perdemo-nos nas palavras das histórias que não escrevemos. E sentimos os dias longos- imensamente longos e cheios de palavras que não escrevem histórias. Sabemos que à distância das histórias, sem ausências que se adivinhem, os dias são maiores, tão maiores, sem tempo que meça o intervalo entre o nascer de cada pôr-do-sol.

À distância descobrimos, nas histórias que não se escrevem, que a medida da massa do nosso egoísmo é tão profundamente maior do que julgámos.

Mas porque as palavras flutuam e não desistem, deixamos que a matéria se desvaneça. Tornamo-nos infimamente pequenos- donos de uma história que deixou de ser nossa, por ser maior. Deixamos de existir para podermos ser.

Por certo, um dia, alguém inventará as palavras certas para a escrever. Um dia doentio e doce- onde habitaremos ancorados nos instantes infinitesimais do crepúsculo que imaginámos.