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outubro 23, 2015

Ovo ou Galinha?

©Cornell Capa. International Center of Photography PARAGUAY. 1955. Political prisoner.

E  N  T  R  A  R         P  A  R  A         S  A  I  R

 ou

S  A  I  R     P  A  R  A        E  N  T  R  A  R      

 ?

julho 14, 2015

 Cornell Capa © International Center of Photography USA. New York City. 1957.
American evangelist Billy GRAHAM delivers a sermon at Madison Square Garden.
" - Não fiques outra vez assim! Ninguém é como tu. Eles não me desprezam como tu; só fingem, para depois poderem ser diferentes. (...) Tu é meigo... e eu amo-te...!

(...)
É verdade, há pensamentos mortos e pensamentos vivos. O pensamento que se move na superfície iluminada, que pode a cada momento ser reconstituído seguindo um fio de causalidade, de modo nenhum é o pensamento vivo. Um pensamento que encontramos por esta via será sempre algo de indiferente, como um homem qualquer na coluna de soldados em marcha. Um pensamento - e ele pode ter já passado pelo nosso cérebro há muito tempo - só se torna vivo no momento em que alguma coisa que já não é pensamento, que já não é lógica, se junta a ele, de tal modo que sentimos a sua verdade, para lá de toda a legitimação, como uma âncora que se soltou e nos entrou pela carne irrigada de sangue, viva...
A percepção verdadeiramente grande de alguma coisa só em parte se dá no círculo de luz do cérebro; a outra parte situa-se no terreno escuro do mundo interior, e é acima de tudo um estado de alma na ponta mais extrema do qual pousa, como uma flor, o pensamento."

Robert Musil
As perturbações do Pupilo Törless, Dom Quixote, 2005
(Trad. João Barrento)

junho 15, 2015

doce ironia


©Cornell Capa. International Center of Photography 
PARAGUAY. 1955. Political prisoner.
NÃO CHORO

A dor não me pertence.

Vive fora de mim, na natureza,
livre como a electricidade.

Carrega os céus de sombra,
entra nas plantas,
desfaz as flores...

Corre nas veias do ar,
atrai nos abismos,
curva os pinheiros...

E em certos momentos de penumbra 
iguala-me à paisagem,
surge nos meus olhos
presa a um pássaro a morrer
no céu indiferente.

Mas não choro. Não vale a pena!
A dor não é humana.

José Gomes Ferreira
Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, 2001, Assírio&Alvim

dezembro 31, 2014

Cornell Capa © International Center of Photography PARAGUAY. 1955. Political prisoner.

PLAY Meredith Monk Travel Dream Song

Trânsito
Mas quanto tempo e quando
ficávamos ali vogando
em brancas nuvens do esquecimento?

Fechávamos os livros
que lêramos ou fizéramos
e as taças que não bebêramos partíamos.
Numa agonia de ecos
os risos se calavam
e sacavam-se os prantos.
E os violinos adormeciam
sobre divãs de flores pálidas e murchas
que surgiam
nos recantos
daquela sala estepe oceano
ou monte anode estávamos
sob uma luz de estrelas moribundas
fatais pulverizando o nosso barro humano.

As dores e as misérias,
sempre guerreiras e instantes,
mesmo quando adormecidas,
despertavam cansadas
e ficavam por terra palpitantes...

Seguíamos, voltávamos, seguíamos
em indomáveis ziguezages lentos,
para nunca chegarmos,
pois chegar
era a absurda ameaça de um vazio
entre dois pensamentos!

Mas quanto tempo e quando?

E cerrando-se no ar,
sempre mais uma vez,
a cegueira das imagens,
o silêncio crepitante da surdez:
-os gritos paralisados da memória
clamando em vão por uma História!

Edmundo de Bettencourt, Poemas de, Assírio&Alvim