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dezembro 17, 2016

Martine Franck | FRANCE Paris | 1977.

COM A TUA VOZ
Com a tua voz
fala pela noite
adentro o salgueiro, luzes
voam em seu redor.
No alto, uma flor-de-água
atravessa a escuridão.
Com os seus animais
respira o rio.

Levo para os cálamos
a minha casa entrançada.
O caracol
inaudível passa pelo meu telhado.
Gravado
na palma das minhas mãos
encontro o teu rosto.

MIT DEINER STIMME
Mit deiner Stimme
bis in die Nacht
redet der Weidenbusch, Lichter
fliegen um ihn.
Hoch, eine Wasserblume
fährt durch die Finsternis.
Mit seine Tieren
atmet der Fluß.

In den Kalmus
trage ich mein geflochtenes Haus.
Die Schnecke
unhörbar
geht über mein Dach.
Eingeszeichnet
in meine Handflächen
finde ich dein Gesicht.              

        
Johannes Bobrowski (1917 - 1965) | Como um respirar - antologia poética | 1990 | Edições Cotovia |Tradução João Barrento

julho 15, 2015

©Martine Franck MOROCCO. Agadir. 1976.

PLAY Patti Stmith Birdland

"Não tendo alternativa, o sol brilhava sobre o nada de novo.
(...)
A pouco  e pouco, o mundo, o grande mundo onde se apregoavam Quid pro quo e onde o sol nunca se punha duas vezes da mesma maneira, foi-se dissipando, para dar lugar ao pequeno mundo (tal como se descreve no capítulo sexto).
(...)
E foi na rua, numa noite de S. João, estava o Sol em Caranguejo, que ela encontrou Murphy.
(...)
A lua, por uma coincidência notável, cheia e no perigeu, estava 47 000 quilómetros mais perto da Terra do que nos quatro anos anteriores."

Samuel Beckett
Murphy, Assírio&Alvim, 2003

abril 02, 2015

©Martine Franck. IRELAND. Donegal. Tory Island. 1995
PLAY PJ Harvey On Battleship Hill

como crianças de mãos dadas
bebendo votos de inocência
condenados a qualquer coisa de verdadeiro

fevereiro 08, 2015

©Martine.Franck


PLAY
 
La espiral eterna played by Leo Brouwer


E UM SORRISO

A noite nunca acaba
Há sempre pois que o digo
Pois que o afirmo
No extremo da mágoa uma janela aberta
Uma janela iluminada
Há sempre um sonho de guarda
Um desejo a cumular
Fome a satisfazer
Um coração generoso
Uma mão estendida uma mão aberta
Uns olhos atentos
Uma vida a se repartir a vida.

Paul Éluard Últimos Poemas de Amor,  Relógio d'Água, 2002

janeiro 18, 2015

©Martine Franck JORDAN. Governorate of Al 'Aqaba. Petra. 2001
PLAY Philippe Manoury, Melencolia, third string quartet

Também os pingos unos caem, chuva, em poça de água imprecisa. E uma massa comum disforme cresce sem imaginação. Só o passo firme e sonoro os fará renascer- um salpico, um momento- para voltarem a ser (nova) poça de água em massa indefinida.


©Martine Franck. INDIA. State of Orissa. Town of Puri. 1980

eu sou um segredo que estremece
um livro aberto para crianças medrosas
sou o cemitério dos necessitados
mas não sou uma aparição
dizem
depois de eu ter adormecido no regaço de Rouhania
ele é filho da solidão
sabes
quando Nachoude, o velho pescador, morreu, levado
       pela espuma suja
fizeram-lhe um pomposo funeral
os gatos choraram
e o mar retirou-se a perder de vista e a lua velou muito tempo
       a sepultura

Tahar Ben Jelloun Arzila Estação de Espuma, Hiena Editora, 1987
(Trad. Al Berto)

janeiro 02, 2015

©Martine Franck.IRELAND. Donegal. Tory Island. 1995

PLAY Depeche Mode Enjoy the Silence

não engolir letras ao que conhecemos só de nome
não negar o nome à coisa
não esclarecer o inominável
subir e descer o indomável

domesticar o silêncio em nós e na coisa:
ser tentativa-erro até que a coisa aconteça em nós.

novembro 30, 2014

@Martine Franck MOROCCO. Agadir. 1976

PLAY JP Simões & Norberto Lobo Canção da Paciência 
Muitos sóis e luas irão nascer
Mais ondas na praia rebentar
Já não tem sentido ter ou não ter
Vivo com o meu ódio a mendigar
Tenho muitos anos para sofrer
Mais do que uma vida para andar
Beba o fel amargo até morrer
Já não tenho pena sei esperar
A cobiça é fraca melhor dizer
A vida não presta para sonhar
Minha luz dos olhos que eu vi nascer
Num dia tão breve a clarear
As águas do rio são de correr
Cada vez mais perto sem parar
Sou como o morcego vejo sem ver
Sou como o sossego sei esperar

agosto 11, 2014


© Martine Franck

A vida... espiral e logarítmica...
que nos devolve o expoente à base da potência que a torna exponencial.