|Assim repito o nome e sinto ainda o incêndio no rosto :|| paul celan |Porque é com nomes que alguém sabe | onde estar um corpo| por uma ideia, onde um pensamento | faz a vez da língua.| herberto helder
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abril 28, 2016
janeiro 14, 2016
[#1] À distância de um teclado
| ©raquelsav2016. Work-in-Progress |
Há gritos em corpos de abandono
e, constantemente, veias que arrebatam,
que cessam,
que despedem,
que lembram -
que existem para lembrar.
Há aromas, perfume do hábito,
impregnados nas veias que existem,
e lembram o abandono,
no corpo.
Há erros perenes e crónicos,
que insistem,
insistem,
que insistem
porque o corpo ama
porque o corpo cheira
mas não sabe abandonar.
Há tanto no corpo a querer amar,
amar a saudade de amar,
a saudade de ser em amar.
Há gritos em corpos de abandono,
amores subjectivos, adjectivos,
que não nasceram para crescer
que não nasceram para ser verbo
[num grito].
dezembro 10, 2015
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| ©raquelsav |
Carlos de Oliveira (1978)
Finisterra: Paisagem e povoamento, Sá da Costa, 1979
novembro 23, 2015
| ©raquelsav |
QUEM ARRANCA de noite o coração do peito deseja a rosa.
Pertencem-lhe a sua folha e o seu espinho.
A esse põe ela a luz no prato,
com o seu sopro enche-lhe os copos,
só para ele sussurram as sombras do amor.
Quem arranca de noite o coração do peito e o arremessa ao alto:
não falha o alvo,
apedreja a pedra,
a esse bate-lhe o sangue fora do relógio,
o tempo faz-lhe soar na mão a sua hora:
pode brincar com bolas mais bonitas
e falar de ti e de mim.
Paul Celan (23/11/1920 - 20/04/1970)
Sete Rosas Mais Tarde, Edições Cotovia, 1993)
novembro 16, 2015
| ©raquelsav |
PLAY J.S. Bach Kyrie Eleison - Missa H-moll BWV 232
Gravita um cheiro cego onde a palavra cessa,
mas é o hálito matinal e contínuo que fede e cala.
Não há fruta que não apodreça nem vinho que não azede,
nem parede pintada que esconda as tuas escamas de ocre e cal.
Talvez amanhã regues, na árvore, a flor que cresce
[e somente anoiteça, enquanto anoitece].
setembro 22, 2015
[#2] manual de sobrevivência
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| ©raquelsav. 21 setembro 2015
PLAY Patti Smith Birdland
Quando espíritos grandes se revelam, simplesmente... |
setembro 07, 2015
junho 05, 2015
ERIGIDAS SOBRE AS NOSSAS FÁBULAS
UMA SUMPTUOSA MORADA
I
Uma sumptuosa morada, as aves por janelas.
(Cor de floresta virgem, aroma raiado de embriagues de asa.)
A noite está na concha da mão. (E também no brilho dos olhos.)
Limites do universo: cada um é germe de infinito.
(Deitada, ela escutava, num ruído de água que se quebra, por cima do seu leito, a onda desenrolando as suas correntes e lançando sobre a praia os sóis decaídos da liberdade ofendida.)
Ao respirar fazemos sombra.
(Em menina, transtornavam-na as manhãs sem mãos, no meio da roda, com a sua imperícia de aleijadas.
Da terra, lembrar-se á do riso do arco esbaforido, oscilando no caminho, e do suspiro das cortinas poeirentas que erguia até à aurora?)
A pouco e pouco as paredes afrouxaram o seu abraço, porque não há amor eterno entre as pedras. Uma a uma redescobriram, nas ruínas, o anonimato do seu destino.
Edmond Jabès
A obscura palavra do deserto - uma antologia, Edições Cotovia, 1991
maio 16, 2015
| ©raquelsav.Kessel. Maio2015 |
...trocamos paraísos por abismos, enquanto sonhamos com essências de abraço.
E fugimos, fugimos, fugimos....
maio 15, 2015
| ©raquelsav. Kessel. 8.Maio.2015 Como órfãos de lugar...
PLAY Shopie Hunger Shape
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Shadow boxing, monologue and we clean and we clean and we clean
Shadow boxing, monologue and we dream and we dream and we dream
And we go down to the beggar, to reach for the Queen
And It's now and forever, and we are and we seem
And we sculpture a statue to worship and bear
The chaos that's behind the glass of
who and what and who and what we are
Shadow boxing, monologue and we dream and we dream and we dream
And we go down to the beggar, to reach for the Queen
And It's now and forever, and we are and we seem
And we sculpture a statue to worship and bear
The chaos that's behind the glass of
who and what and who and what we are
maio 06, 2015
| ©raquelsav. Hauptbahnhof. Frankfurt. 6.Maio.2015
O comboio rápido tacteia e entra pela escuridão. Não há estrela que se afoite.
O mundo não é mais que estreita galeria de mina entre, os carris da noite,
Onde, aqui e ali, fontes de luz azul abrem súbitos horizontes: esfera de fogo
De lâmpadas, telhados, chaminés, fumegando, fluindo... uns segundos apenas, e logo
Tudo regressa ao negro. (...)
Ernst Stadler
Expressionismo alemão- Antologia poética (João Barrento), Ática
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maio 02, 2015
abril 03, 2015
| ©raquelsav. 2015.WARSOW. Pintura de Håkon Gullvåg |
depois da morte
me achei no meio da vida
criava a mim mesmo
construía a vida
gente animais paisagens
isto é uma mesa eu dizia
isto é uma mesa
sobre a mesa repousam o pão a faca
a faca serve para cortar o pão
é preciso amar o homem
eu dizia de noite e de dia
o que é preciso amar
eu respondia o homem
[...]
Tadeusz Rózewicz (Trad. Henry Siewierski)
Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, 2001, Assírio&Alvim
março 28, 2015
| ©raquelsav.Lodz.2015 |
Encenamos despedidas,
enquanto falamos por línguas de fogo,
línguas da boca para dentro,
exercícios extremos de lugar
ou tão somente de silêncio.
Insistimos nessa espécie de tempo falado,
um tempo oral das coisas que não se dizem,
subindo, como quem resvala,
por degraus que se afunilam,
inclinados sobre si.
Somos cada degrau
e o peso do desenho do pé,
a marca incerta que calca o chão morto.
Por isso, tocamos a pintura na (im)perfeição do traço,
entre pormenores fractais e borrões tolhidos,
carimbo rudimentar de tinta chinesa e permanente.
Construímos o tempo no uso dos pronomes interrogativos,
mas abominamos a senda dos pontos de interrogação.
Somos o quê da matéria que não fala,
que habita muito acima do porquê,
razão pura de hierarquia.
Por isso,
enquanto falamos por línguas de fogo,
comungamos do nosso tempo -
como extensas vítimas do silêncio.
março 23, 2015
©raquelsav. Muzeum Kinematografii. Lodz (Polónia) 20 Março 2015
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Prefiro os zeros à solta
a tê-los numa fila junto ao algarismo.
Prefiro o tempo do insecto ao tempo das estrelas.
Prefiro fazer isolar.
Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.
Prefiro levar em consideração até a possibilidade
do ser ter a sua razão.
Extracto de POSSIBILIDADES de
Wislawa Szymborska (Trad. Aleksandar Jovanovic e Henry Siewierski)
Rosa do Mundo- 2001 poemas para o futuro. 2001. Assírio&Alvim
março 21, 2015
Dia Mundial da Poesia
março 19, 2015
A F A S T A R
rima como
A P R O F U N D A R
PLAY Frédéric Chopin- Arthur Rubinstein Noctunes
março 18, 2015
P A R T I D A
rima com
E N C O N T R O
PLAY Henryk Górecki Sinfonia n.º 3 ©raquelsav. VARSÓVIA. 18 de Março 2015


