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abril 28, 2016

Sentiu falta de sentir falta

©raquelsav | "Sarrado" | Abril2016

janeiro 14, 2016

[#1] À distância de um teclado

©raquelsav2016. Work-in-Progress
PLAY Tchaikovsky Doll is ill, Op. 39 n.º7

Há gritos em corpos de abandono
e, constantemente, veias que arrebatam,
que cessam,
que despedem,
que lembram -
que existem para lembrar.

Há aromas, perfume do hábito,
impregnados nas veias que existem,
e lembram o abandono,
no corpo.

Há erros perenes e crónicos,
que insistem,
insistem,
que insistem
porque o corpo ama
porque o corpo cheira
mas não sabe abandonar.

Há tanto no corpo a querer amar,
amar a saudade de amar,
a saudade de ser em amar.

Há gritos em corpos de abandono,
amores subjectivos, adjectivos,
que não nasceram para crescer
que não nasceram para ser verbo
                                   [num grito].

dezembro 10, 2015

©raquelsav
"Medir a felicidade. Que dizer destes fogachos transitórios? Não chega a penitência. Aos que têm o fogo das trovoadas, a cal nas sepulturas, como exercício do fogo verdadeiro (do inferno para sempre). Um nada, que flutua em nós, controla o acaso ou perde a ocasião (irrepetível). Fazer contas e errá-las: a soma que se chama alma. A bom entendedor meia palavra basta. Quanto ao resto, os vultos a arderem no desenho, quem levanta a mão contra o nosso corpo e o nosso gado? Quem se antecipa a Deus?"

Carlos de Oliveira (1978)
Finisterra: Paisagem e povoamento, Sá da Costa, 1979

novembro 23, 2015

©raquelsav

QUEM ARRANCA de noite o coração do peito deseja a rosa.
Pertencem-lhe a sua folha e o seu espinho.
A esse põe ela a luz no prato,
com o seu sopro enche-lhe os copos,
só para ele sussurram as sombras do amor.
Quem arranca de noite o coração do peito e o arremessa ao alto:
não falha o alvo,
apedreja a pedra,
a esse bate-lhe o sangue fora do relógio,
o tempo faz-lhe soar na mão a sua hora:
pode brincar com bolas mais bonitas 
e falar de ti e de mim.

Paul Celan (23/11/1920 - 20/04/1970)
Sete Rosas Mais Tarde, Edições Cotovia, 1993) 

novembro 16, 2015

©raquelsav

PLAY J.S. Bach Kyrie Eleison - Missa H-moll BWV 232

Gravita um cheiro cego onde a palavra cessa,
mas é o hálito matinal e contínuo que fede e cala.
Não há fruta que não apodreça nem vinho que não azede,
nem parede pintada que esconda as tuas escamas de ocre e cal.
Talvez amanhã regues, na árvore, a flor que cresce
                           [e somente anoiteça, enquanto anoitece].

setembro 22, 2015

[#2] manual de sobrevivência

©raquelsav. 21 setembro 2015




Quando espíritos grandes se revelam, simplesmente...

setembro 07, 2015

©raquelsav2015.Set. Fuente Dé

P   A   Z

rima com

F   U   G   A   Z 


junho 05, 2015




ERIGIDAS SOBRE AS NOSSAS FÁBULAS

UMA SUMPTUOSA MORADA

I
Uma sumptuosa morada, as aves por janelas.
(Cor de floresta virgem, aroma raiado de embriagues de asa.)

A noite está na concha da mão. (E também no brilho dos olhos.)

Limites do universo: cada um é germe de infinito.

(Deitada, ela escutava, num ruído de água que se quebra, por cima do seu leito, a onda desenrolando as suas correntes e lançando sobre a praia os sóis decaídos da liberdade ofendida.)

Ao respirar fazemos sombra.

(Em menina, transtornavam-na as manhãs sem mãos, no meio da roda, com a sua imperícia de aleijadas.

Da terra, lembrar-se á do riso do arco esbaforido, oscilando no caminho, e do suspiro das cortinas poeirentas que erguia até à aurora?)

A pouco e pouco as paredes afrouxaram o seu abraço, porque não há amor eterno entre as pedras. Uma a uma redescobriram, nas ruínas, o anonimato do seu destino.


Edmond Jabès
A obscura palavra do deserto - uma antologia, Edições Cotovia, 1991 

maio 16, 2015

©raquelsav.Kessel. Maio2015
PLAY Bach BWV 1080 Die kunst der Fugue

...trocamos paraísos por abismos, enquanto sonhamos com essências de abraço.
E fugimos, fugimos, fugimos....

maio 15, 2015

©raquelsav. Kessel. 8.Maio.2015

Como órfãos de lugar...



Shadow boxing, monologue and we clean and we clean and we clean
Shadow boxing, monologue and we dream and we dream and we dream

And we go down to the beggar, to reach for the Queen
And It's now and forever, and we are and we seem
And we sculpture a statue to worship and bear
The chaos that's behind the glass of
who and what and who and what we are

maio 06, 2015

©raquelsav. Hauptbahnhof. Frankfurt. 6.Maio.2015 

PLAY Neu! Negativland
O comboio rápido tacteia e entra pela escuridão. Não há estrela que se afoite.
O mundo não é mais que estreita galeria de mina entre, os carris da noite,
Onde, aqui e ali, fontes de luz azul abrem súbitos horizontes: esfera de fogo
De lâmpadas, telhados, chaminés, fumegando, fluindo... uns segundos apenas, e logo
Tudo regressa ao negro.  (...)


Ernst Stadler

Expressionismo alemão- Antologia poética (João Barrento), Ática 

maio 02, 2015

[#1] manual de sobrevivência

©raquelsav. 1Maio2015. Teatro da Trindade

Estragon:  Que é?

Vladimir:  E se nos arrependêssemos?

Estragon:  De quê?

Vladimir:  De... de... (Medita). Não era preciso entrar em pormenores.

Estragon: De termos nascido?

Samuel Beckett
À Espera de Godot, Teatro de Samuel Beckett, Editora Arcádia

abril 03, 2015

©raquelsav. 2015.WARSOW. Pintura de Håkon Gullvåg
Depois do fim do mundo
depois da morte
me achei no meio da vida
criava a mim mesmo
construía a vida
gente animais paisagens

isto é uma mesa eu dizia
isto é uma mesa
sobre a mesa repousam o pão a faca
a faca serve para cortar o pão

é preciso amar o homem
eu dizia de noite e de dia
o que é preciso amar
eu respondia o homem
[...]
Tadeusz Rózewicz (Trad. Henry Siewierski)

Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, 2001, Assírio&Alvim


março 31, 2015

©raquelsav.2015. Ourém

A   F    I    N    A    R
rima com
|PROCURAR   DEVAGAR   LUGAR   (NÃO) ENCONTRAR    PROCURAR:||

março 28, 2015

©raquelsav.Lodz.2015
PLAY Zbigniew Preisner Lament (Lisa Gerrard)

Encenamos despedidas,
enquanto falamos por línguas de fogo,
línguas da boca para dentro,
exercícios extremos de lugar
ou tão somente de silêncio.

Insistimos nessa espécie de tempo falado,
um tempo oral das coisas que não se dizem,
subindo, como quem resvala,
por degraus que se afunilam,
inclinados sobre si.
Somos cada degrau
e o peso do desenho do pé,
a marca incerta que calca o chão morto.
Por isso, tocamos a pintura na (im)perfeição do traço,
entre pormenores fractais e borrões tolhidos,
carimbo rudimentar de tinta chinesa e permanente.

Construímos o tempo no uso dos pronomes interrogativos,
mas abominamos a senda dos pontos de interrogação.
Somos o quê da matéria que não fala,
que habita muito acima do porquê,
razão pura de hierarquia.
Por isso,
enquanto falamos por línguas de fogo, 
comungamos do nosso tempo - 
como extensas vítimas do silêncio. 


março 23, 2015


©raquelsav. Muzeum Kinematografii. Lodz (Polónia) 20 Março 2015
(...)
Prefiro os zeros à solta
a tê-los numa fila junto ao algarismo.
Prefiro o tempo do insecto ao tempo das estrelas.
Prefiro fazer isolar.
Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.

Prefiro levar em consideração até a possibilidade
do ser ter a sua razão.

Extracto de POSSIBILIDADES de 

Wislawa Szymborska (Trad. Aleksandar Jovanovic e Henry Siewierski)
Rosa do Mundo- 2001 poemas para o futuro. 2001. Assírio&Alvim
©raquelsav. Muzeum Kinematografii. Lodz (Polónia) 20 Março 2015
TESTAMENTO
Após a morte de Deus
abriremos o testamento
para saber
a quem pertence o mundo
e aquela grande armadilha
de homens.

Ewa Lipska (Trad. Aleksandar Jovanovic)
Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, 2001, Assírio&Alvim

março 21, 2015

Dia Mundial da Poesia

©raquelsav. Muzeum Kinematografii. Lodz (Polónia) 20 Março 2015



"Quem deixa um rasto, deixa uma ferida."

Henri Michaux, Antologia. Relógio D'Água, 1999

março 19, 2015


A   F   A   S   T   A   R
rima como 
A   P   R   O   F   U   N   D   A   R


©raquelsav. Łódź - Polónia  20 Março 2015 (Alexandre Farto (Vhils),    
  
 PLAY Frédéric Chopin- Arthur Rubinstein Noctunes

março 18, 2015


P   A   R   T   I   D   A
rima com
E   N   C   O   N   T   R   O

PLAY Henryk Górecki Sinfonia n.º 3                                                                 ©raquelsav. VARSÓVIA. 18 de Março 2015