|Assim repito o nome e sinto ainda o incêndio no rosto :|| paul celan |Porque é com nomes que alguém sabe | onde estar um corpo| por uma ideia, onde um pensamento | faz a vez da língua.| herberto helder
outubro 12, 2014
outubro 11, 2014
©raquelsav
PLAY Sigur Rós - Salka
Roubar luz à Primavera,
deitá-la mar fora no Outono,
trazer o infinito no som da concha.
Enviar, por correio, o sorriso,
mudar a hora de embarque
um dia antes do Inverno chegar.
Amar tudo
e saber a pouco.
Joy Division
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©Chris Steele-Perkins, 1978.
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When routine bites hard
And ambitions are low
And resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads
Then love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
Why is the bedroom so cold?
You've turned away on your side
Is my timing that flawed?
Our respect runs so dry
Yet there's still this appeal
That we've kept through our lives
But love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
You cry out in your sleep
All my failings exposed
And there's taste in my mouth
As desperation takes hold
Just that something so good
Just can't function no more
But love, love wil tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
Bill Callahan
PLAY Bill Callahan - Jim Cain
Jim Cain
I started out in search of ordinary things
How much of a tree bends in the wind
I started telling the story without knowing the end
I used to be darker, then I got lighter, then I got dark again
Something too big to be seen was passing over and over me
Well it seemed like the routine case at first
With the death of the shadow came a lightness of verse
But the darkest of nights, in truth, still dazzles
And I woke myself until I'm frazzled
I ended up in search of ordinary things
Like how can a wave possibly be?
I started running, and the concrete turned to sand
I started running, and things didn't pan out as planned
In case things go poorly and I not return
Remember the good things I've done
In case things go poorly and I not return
Remember the good things I've done
Done me in
Bill Callahan,
outubro 10, 2014
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| ©Antoine d’Agata: Untitled, from the series Inédites, Georgia, 2009 |
PLAY Tindersticks - A Night In
1
o sol ensina o único caminho
a voz da memória irrompe lodosa
ainda não partimos e já tudo esquecemos
caminhamos envoltos num alvéolo de ouro fosforescente
os corpos diluem-se na delicada pele das pedras
falam os rios deste regresso e pelas margens ressoam passos
os poços onde nos debruçámos aproximam-se perigosamente
da ausência e da sede procurámos os rostos na água
conseguimos não esquecer a fome que nos isolou
de oásis em oásis
hoje
é o sangue branco das cobras que perpetua o lugar
o peso de súbitas cassiopeias nos olhos
quando o veludo da noite vem roer a pouco e pouco a planície
caminhamos ainda
sabemos que deixou de haver tempo para nos olharmos
a fuga só é possível para dentro dos fragmentados corpos
e um dia... quem sabe?
chegaremos
Al Berto, Tentativas para um regresso à Terra, 1980
in Medo, 1997
Morphine
©raquelsav
PLAY Morphine - The Night
Há uma noite que nos segue e não sabemos se nos mente.
Esbatem-se os reflexos que desfazem os dias pintados da imagem.
Não sabemos onde existir, e o que somos do espelho: se noite, se dia.
Pouco entendemos: não sabemos se gostamos ou gostamos de gostar.
Na dúvida, não existimos, vamos existindo, entre o dia e a noite.
E ainda que nos minta, não podemos senão sê-lo, entre o esboço e a pintura.
outubro 05, 2014
Madredeus
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| ©Gilles Peress |
PLAY Madredeus "Agora"
Canto à minha idade, ó ai,
Canto às côres que ainda são,
E ao amor que me dão
As manhãs deste mundo,
São,
Janelas para ver,
São ainda,
São
Vontades de ter
Um mundo sem armas
Na mão
Canto às côres que ainda são,
E ao amor que me dão
As manhãs deste mundo,
São,
Janelas para ver,
São ainda,
São
Vontades de ter
Um mundo sem armas
Na mão
Canto esta verdade, ó ai,
Canto à luz do meu sol,
Sol do meu mundo inteiro
Que queria guardar, ó ai,
Guardar para ti
Ter na mão e dar
Dar-te logo a ti
Mas há tantas armas aí...
Canto à luz do meu sol,
Sol do meu mundo inteiro
Que queria guardar, ó ai,
Guardar para ti
Ter na mão e dar
Dar-te logo a ti
Mas há tantas armas aí...
- e eu, que força tenho?
- e tu que força tens?
- temos a voz só, cantamos alto,
- a nossa voz só, canta bem alto
- e tu que força tens?
- temos a voz só, cantamos alto,
- a nossa voz só, canta bem alto
É agora, é a hora
É agora, é a hora
É agora, é a hora
Cantai de madrugada
Até ao sol raiar
Levai a vida boa
Cantai sempre cantai
E a cada pessoa
Cantai esta canção
Lembrai ao mundo inteiro
A sua condição
Até ao sol raiar
Levai a vida boa
Cantai sempre cantai
E a cada pessoa
Cantai esta canção
Lembrai ao mundo inteiro
A sua condição
E assim cantai também
Como eu sempre cantei
Cantai o amor do mundo
E tudo o que está bem
Cantai a viva voz
Pela terra inteira
E assim se ensina a paz
Da melhor maneira
Como eu sempre cantei
Cantai o amor do mundo
E tudo o que está bem
Cantai a viva voz
Pela terra inteira
E assim se ensina a paz
Da melhor maneira
outubro 04, 2014
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| ©Chris Steele-Perkins, Pakistan 1997 |
PLAY Sibelius - Etude op. 76 no. 2
Em que nome repousas,quando o estado último das coisas não te basta?
Em que voz queres soar inteiro,
quando os fragmentos que colhes soam tão pouco a ti?
Sabes que te conheço
pelos nós
com que atas o firmamento à inquietude,
como se fossem meus os teus
gritos sibilantes que te adivinham.
Talvez possas espreitar o limbo,
onde nada acontece.
Talvez devas rezar Adeus,
e simular um momento de despedida.
Ou, então, simplesmente forjar
um nome,
não sei...
mas sei que o estado último das coisas já não te basta,
e não tens onde
repousar.
Roberto Juarroz
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| ©Brassai |
Registar todos os dados,
embora não saibamos decifrá-los.
Registar, por exemplo,
que também os esquecimentos têm diferentes cores
e há assim esquecimentos verdes ou vermelhos,
que sustêm seguramente olhares vegetais
ou apagam sombrios desníveis da vida.
E registar que há lembranças completamente transparentes,
lembranças que não sabemos de quê, mas lembranças,
excessos de memória
ou esquinas de não ser no que foi.
Registar que os sonhos geram cristais
que servem como lentes para olhar o mundo
e também o seu revés.
Registar que há flores sem perfume
e perfumes sem flor que não se encontram,
materiais para acabar de construir o homem
e materiais para começar a construir deus,
caminhos até tudo e até nada,
amores com os olhos para cima
e amores com os olhos para baixo
e até amores sem olhos,
dura, violentamente cerceados.
Registar que entre o céu e a terra tudo acontece,
mas também que tudo acontece às vezes entre a terra e a terra,
embora os sinos toquem em momentos equivocados
ou com sons que são para outra coisa.
Registar as palavras de perto e nunca de longe,
como os rostos e a morte.
E registar o mais palpável, as ausências,
as que sempre o foram,
as que nunca o foram,
o seu desafio ao ser,
a sua correcção do ser
a partir do oásis do não-ser.
Sim. Registar todos os dados,
embora não haja quem os decifre.
Talvez no final não haja necessidade de os decifrar.
Roberto Juarroz, Poesia Vertical, Campo das Letras
setembro 21, 2014
Edmundo de Bettencourt
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| ©Chris Steele-Perkins Japan. Tokyo. Virtual Reality helmets. Tokyo motor show |
A máquina prisioneira
A máquina acabava o dia a mastigar
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
Edmundo de Bettencourt, Poemas de Edmundo de Bettencourt,
Assírio & Alvim
Guaranteed
On bended knee is no way to be freeLifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me,
So I can breathe...
Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...
Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...
Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wondering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...
Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...
Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed
setembro 20, 2014
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| ©Herbert List (1903-1975) GREECE. Attica. Glifadha near Sounion. "Mise en scene with George HOYNINGEN-HUENE" |
O contrário de vivo é um gesto de braço solto para baixo.
Não há como resistir à gravidade quando nos demitimos de ser (a termos sido por algum momento).
Entre um extremo e o outro há um meio pelo qual, nem sempre, queremos passar. Nele mora a liberdade. Porque a liberdade também vive na indiferença do equilíbrio, esse lugar onde nos demitimos de ser.
Ser vivo é um braço no ar onde o sangue custa a chegar.
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Jacqueline Du Pré |
em tudo o que é água
este dia primaveril termina
Issa, O Crisântemo Branco: Antologia de Haiku
Ed. Pedra Formosa
Trailer Hilary and Jackie
Filme com notas biográficas de Jacqueline Du Prè
setembro 08, 2014
Roberto Juarroz
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| ©Harry Gruyaert Mali. Town of Gao. 1988. Terrace of a local hotel. |
Há palavras que não dizemos
e que pomos sem dizê-las nas coisas.
E as coisas guardam-nas,
e um dia respondem-nos com elas
e salvam-nos o mundo,
como um amor secreto
em cujos dois extremos
há uma só entrada.
Não haverá uma palavra
dessas que não dizemos
que tenhamos colocado
sem querer no nada?
Roberto Juarroz
setembro 07, 2014
setembro 01, 2014
agosto 31, 2014
| ©raquelsav |
A casa é fria porque o vazio, quando sopra, é de norte.
Não são chaves que destrancam as portas,
são as mãos,
as que atam e desatam os nós
na garganta do alpendre.
A gargantilha enleia a garganta,
mas não a aquece.
A casa é fria porque o vazio soprou,
e quando sopra é de norte.
A casa é fria porque o calor, quando nasce, é de dentro.
E hoje a casa está tão vazia.
RUE DES CASCADES
When I'm asleep in Cascade Street
When I'm asleep in Cascade Street
I don't, I don't
See anything
When I'm asleep in Cascade Street
When I'm asleep in Cascade Street
I hear, I hear
Nothing, nothing
In the cascade, in the cascade
You washed me
When I wake up in Cascade Street
When I wake up in Cascade Street
I feel nothing
I feel nothing
When I'm asleep in Cascade Street
When I'm asleep in Cascade Street
I don't remember
I don't remember
In the cascade, in the cascade
You washed me
When I wake up in Cascade Street
When I wake up in Cascade Street
I feel nothing
I feel nothing
In the cascade, in the cascade
You washed me











