|Assim repito o nome e sinto ainda o incêndio no rosto :|| paul celan |Porque é com nomes que alguém sabe | onde estar um corpo| por uma ideia, onde um pensamento | faz a vez da língua.| herberto helder
junho 02, 2015
ESCREVO-TE DE UM PAÍS QUE PESA
Tão bela como a mão da amada
sobre o mar.
Tão sozinha.
Escrevo para ti. A dor é uma concha. Nela se ouve o coração perlar.
Escrevo para ti no limiar do idílio, para a planta das folhas
de água, dos espinhos de chamas, para a rosa de amor.
Escrevo para nada, para as palavras luzentes que a minha morte
traça, para o instante de vida eternamente devido.
Tão bela como a mão da amada
sobre o sinal.
Tão sozinha.
Escrevo para todos. Escrevo-te de um país que pesa como os
passos do forçado, de uma cidade igual às outras onde os gritos camuflados
se torcem nas montras; de um quarto onde as
pestanas a pouco e pouco destruíram o silêncio.
Tu és, predestinada destinadora, a minha razão de escrever;
alegre inspiradora do dia e da noite.
Tu és o colo de cisne sedento de azul.
Tão bela como a mão da amada
sobre os olhos.
Tão doce.
Eu escrevo com a carne das palavras que chegam, ofegantes
e vermelhas.
É a ti, de facto, que elas cercam. Eu sou todas as palavras
que me habitam e cada uma na minha voz te magnifica.
Eu preciso de ti para amar, para ser amado pelas palavras que
me elegem. Preciso de sofrer as tuas garras para sobreviver
às feridas do poema.
Flecha e alvo, alternadamente. Preciso de estar à tua mercê
para de mim me libertar.
As palavras ensinaram-me a desconfiar dos objectos que
encarnam.
O rosto é o refúgio do olhos acossados. Aspiro à cegueira.
Tão bela como a mão da amada
sobre o sorriso da criança.
Tão transparente.
Penso nos brinquedos dos meus cinco anos. Uma vez meus,
foram eles os mestres. Antes de mos darem, julgava poder
manejá-los segundo a minha fantasia. Depressa vi que os podia
destruir segundo o meu humor; mas se os queria vivos, teria
de respeitar a sua mecânica, a sua alma imortal.
É como a linguagem.
Devo às palavras a alegria e as lágrimas dos meus cadernos
de estudante e dos meus canhenhos de adulto.
E também a minha solidão.
Devo às palavras a minha inquietação. Tento responder às suas
questões, que são as minhas ardentes interrogações.
Edmond Jabès
A obscura palavra do deserto - uma antologia, Edições Cotovia, 1991
Tão bela como a mão da amada
sobre o mar.
Tão sozinha.
Escrevo para ti. A dor é uma concha. Nela se ouve o coração perlar.
Escrevo para ti no limiar do idílio, para a planta das folhas
de água, dos espinhos de chamas, para a rosa de amor.
Escrevo para nada, para as palavras luzentes que a minha morte
traça, para o instante de vida eternamente devido.
Tão bela como a mão da amada
sobre o sinal.
Tão sozinha.
Escrevo para todos. Escrevo-te de um país que pesa como os
passos do forçado, de uma cidade igual às outras onde os gritos camuflados
se torcem nas montras; de um quarto onde as
pestanas a pouco e pouco destruíram o silêncio.
Tu és, predestinada destinadora, a minha razão de escrever;
alegre inspiradora do dia e da noite.
Tu és o colo de cisne sedento de azul.
Tão bela como a mão da amada
sobre os olhos.
Tão doce.
Eu escrevo com a carne das palavras que chegam, ofegantes
e vermelhas.
É a ti, de facto, que elas cercam. Eu sou todas as palavras
que me habitam e cada uma na minha voz te magnifica.
Eu preciso de ti para amar, para ser amado pelas palavras que
me elegem. Preciso de sofrer as tuas garras para sobreviver
às feridas do poema.
Flecha e alvo, alternadamente. Preciso de estar à tua mercê
para de mim me libertar.
As palavras ensinaram-me a desconfiar dos objectos que
encarnam.
O rosto é o refúgio do olhos acossados. Aspiro à cegueira.
Tão bela como a mão da amada
sobre o sorriso da criança.
Tão transparente.
Penso nos brinquedos dos meus cinco anos. Uma vez meus,
foram eles os mestres. Antes de mos darem, julgava poder
manejá-los segundo a minha fantasia. Depressa vi que os podia
destruir segundo o meu humor; mas se os queria vivos, teria
de respeitar a sua mecânica, a sua alma imortal.
É como a linguagem.
Devo às palavras a alegria e as lágrimas dos meus cadernos
de estudante e dos meus canhenhos de adulto.
E também a minha solidão.
Devo às palavras a minha inquietação. Tento responder às suas
questões, que são as minhas ardentes interrogações.
Edmond Jabès
A obscura palavra do deserto - uma antologia, Edições Cotovia, 1991
junho 01, 2015
maio 26, 2015
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| ©Francesca Woodman |
"Era um homem que banalizava o mundo para poder ser nele acolhido sem drama, que transformava o horror e a maldade em lugares-comuns, para não sentir remorsos. E, apesar do meu ódio, também eu o amava, porque a indiferença que ele introduzia na sua vida e na dos outros me dava uma paz intensa, por isso estava prestes a segui-lo numa viagem, numa deserção, ou num crime. Assim me tornava a cúmplice perfeita, colada aos seus passos, fascinada pela sua voz. Perto dele, as palavras regressavam com uma fluência mentirosa, como se tivéssemos voltado da morte e tudo pudesse ser dito. Todos os gestos pudessem ser feitos"
Rui Nunes,
Os Olhos de Himmler, Relógio d'Água, 2009
maio 20, 2015
19
Já nasceste a saber o que eu não sei,
o que o lume na água mais procura;
se me dás de beber vou ter a sede
incessante da fonte mais impura.
Cada noite te peço que imagines
uma outra fina, elementar tortura,
como essa, de nunca mais arder
o corpo que no corpo se insinua.
Por cada gesto teu, leio almanaques
de vãs filosofias, para ter
a réplica prevista à sua altura;
por cada lábio, sou mais sábio que
toda a corte celeste talmudista;
e ainda não sei o que ao nascer sabias.
António Franco Alexandre,
Duende, Assírio&Alvim, 2003
Já nasceste a saber o que eu não sei,
o que o lume na água mais procura;
se me dás de beber vou ter a sede
incessante da fonte mais impura.
Cada noite te peço que imagines
uma outra fina, elementar tortura,
como essa, de nunca mais arder
o corpo que no corpo se insinua.
Por cada gesto teu, leio almanaques
de vãs filosofias, para ter
a réplica prevista à sua altura;
por cada lábio, sou mais sábio que
toda a corte celeste talmudista;
e ainda não sei o que ao nascer sabias.
António Franco Alexandre,
Duende, Assírio&Alvim, 2003
15
Se nas palavras vou um pouco sempre
adiantado, como uma quimera
daquelas bem reais que têm bico
e corpo de lagarto? e rosto humano?
é que também não vivo neste instante
mas noutro, inteiramente coincidente.
Jamais aceitarei que o mundo seja
vago manto de montanhas,
alguns bichos na água, outros em terra,
outros voando em fútil incerteza.
Se me prendo ao teu rumor ausente
não é que me consuma numa imagem
ou deseje real o imaginado;
é por outro real em ti presente.
António Franco Alexandre
Duende, Assírio&Alvim, 2003
maio 18, 2015
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| ©Hans Bellmer, La Poupée, 1935 (202.1987) |
Quando dói, o tempo tem a força de um cavalo que respinga. E o ser encolhe. A sombra come os espaços vazios - não há como crescer. Quando dói, é sempre meio-dia. Sombra e ser, ser e sombra, num só ponto e pó.
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| ©Josef Koudelka. GREECE |
PLAY Team Sleep Natalie Portman
"é preciso esquecer para andar, talvez assim se chegue, isto é, se consiga fixar o som aos sítios, não o deixar afastar-se, como a música do violoncelo que sai das janelas abertas da grande casa, e atravessa o jardim, só castanheiros nus e bancos molhados, para lhe chegar intacta aos ouvidos.
Está frio
e a melodia é um atalho para um nome que teima em esconder-se, quer dizê-lo, a música porém afasta-se, ou ele dela, ou um para um lado e a outra para outro, e o som dos passos cresce nesse hiato, também o do coração na cabeça"
Rui Nunes,
Os Olhos de Himmler, 2009, Relógio D'Água
maio 16, 2015
| ©raquelsav.Kessel. Maio2015 |
...trocamos paraísos por abismos, enquanto sonhamos com essências de abraço.
E fugimos, fugimos, fugimos....
maio 15, 2015
| ©raquelsav. Kessel. 8.Maio.2015 Como órfãos de lugar...
PLAY Shopie Hunger Shape
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Shadow boxing, monologue and we clean and we clean and we clean
Shadow boxing, monologue and we dream and we dream and we dream
And we go down to the beggar, to reach for the Queen
And It's now and forever, and we are and we seem
And we sculpture a statue to worship and bear
The chaos that's behind the glass of
who and what and who and what we are
Shadow boxing, monologue and we dream and we dream and we dream
And we go down to the beggar, to reach for the Queen
And It's now and forever, and we are and we seem
And we sculpture a statue to worship and bear
The chaos that's behind the glass of
who and what and who and what we are
maio 06, 2015
| ©raquelsav. Hauptbahnhof. Frankfurt. 6.Maio.2015
O comboio rápido tacteia e entra pela escuridão. Não há estrela que se afoite.
O mundo não é mais que estreita galeria de mina entre, os carris da noite,
Onde, aqui e ali, fontes de luz azul abrem súbitos horizontes: esfera de fogo
De lâmpadas, telhados, chaminés, fumegando, fluindo... uns segundos apenas, e logo
Tudo regressa ao negro. (...)
Ernst Stadler
Expressionismo alemão- Antologia poética (João Barrento), Ática
|
maio 03, 2015
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| ©Elliott Erwitt. ITALY. Rome. 2008 |
Como tatuagem de palavra
deglutida e depurada,
somos mínimos terrestres
em deificada ascensão.
"When I am laid, am laid in earth,
May my wrongs create
No trouble, no trouble in thy breast;
Remember me, remember me, but ah! forget my fate.
Remember me, but ah! forget my fate."
(Nahum Teate)
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| ©Josef Koudelka. USA. California. 2000. Death Valley National Park |
PLAY Tiago Bettencourt O Lugar
Já é noite e o frio
está em tudo o que se vê
Lá fora ninguém sabe
que por dentro há vazio
Em que todos há um espaço
que por medo não cedeu
Onde a ilusão se esquece
do que o tempo não previu
está em tudo o que se vê
Lá fora ninguém sabe
que por dentro há vazio
Em que todos há um espaço
que por medo não cedeu
Onde a ilusão se esquece
do que o tempo não previu
Já é noite e o chão
É mais terra pra nascer
A água vai escorrendo
Entre as mãos a percorrer
Todo o espaço entre a sombra
Entre o espaço que restou
Para refazer a vida
No que o tempo não matou
É mais terra pra nascer
A água vai escorrendo
Entre as mãos a percorrer
Todo o espaço entre a sombra
Entre o espaço que restou
Para refazer a vida
No que o tempo não matou
Mas onde tudo morre tudo pode renascer
Em ti vejo o tempo que passou
E o sangue que correu
Vejo a força que me deu
quando tudo parou em ti
A tempestade que não há em ti
Arrastando para o teu lugar
E é em ti que vou ficar
E o sangue que correu
Vejo a força que me deu
quando tudo parou em ti
A tempestade que não há em ti
Arrastando para o teu lugar
E é em ti que vou ficar
Já é noite e a sombra
Está em tudo o que se vê
Lá fora ninguém sabe
O que a luz pode fazer
Porque a noite foi tão fria
Que não soube acordar
A noite foi tão dura
E difícil de sarar
Está em tudo o que se vê
Lá fora ninguém sabe
O que a luz pode fazer
Porque a noite foi tão fria
Que não soube acordar
A noite foi tão dura
E difícil de sarar
E onde tudo morre tudo pode renascer
Em ti vejo o tempo que passou
E o sangue que correu
Vejo a força que me deu
Quando tudo parou em ti
A tempestade que não há em ti
Arrastando para o teu lugar
E é em ti que vou ficar
E o sangue que correu
Vejo a força que me deu
Quando tudo parou em ti
A tempestade que não há em ti
Arrastando para o teu lugar
E é em ti que vou ficar
Por que eu descobri a casa onde posso adormecer
Eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
Aqui tudo é mais forte e há mais cor num céu maior
Aqui tudo é tão novo e pode ser amor
Eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
Aqui tudo é mais forte e há mais cor num céu maior
Aqui tudo é tão novo e pode ser amor
E onde tudo morre tudo volta a nascer
Em ti vejo o tempo que passou
E o sangue que correu
Vejo a força que me deu
Quando tudo parou em ti
A tempestade que não há em ti
Arrastei-me para o teu lugar
E é em ti que vou ficar.
E o sangue que correu
Vejo a força que me deu
Quando tudo parou em ti
A tempestade que não há em ti
Arrastei-me para o teu lugar
E é em ti que vou ficar.
Já é dia e a luz
Está em tudo o que se vê
Cá dentro não se ouve
O que lá fora faz chover
Na cidade que há em ti
Encontrei o meu lugar
E é em ti que vou ficar.
Está em tudo o que se vê
Cá dentro não se ouve
O que lá fora faz chover
Na cidade que há em ti
Encontrei o meu lugar
E é em ti que vou ficar.
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Josef Koudelka.CZECHOSLOVAKIA. Prague. 1967. Theatre Divadlo Za Branou (Beyond the Gate).
"Nightingale for Dinner", a play written and directed by Josef TOPOL.
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TAMBÉM NÓS QUEREMOS ESTAR
onde o tempo diz a palavra-limiar,
o milénio emerge da neve, remoçado,
o olhar errante
descansa no seu próprio espanto
e cabana e estrela
vizinhas se destacam no azul,
como se o caminho já estivesse percorrido.
Paul Celan, A morte é uma flor, Edições Cotovia, 1998
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| Josef Koudelka. CZECHOSLOVAKIA. Prague. 1965. Theatre Divadlo Za Branou (Beyond the Gate). "Masks from Ostend", a play written by Michel de GHELDERODE and directed by Otomar KREJCA |
AS BANDEIRAS GUARDAM AS APARÊNCIAS
Não prendas a elas o olhar,
não o afastes delas,
não pagues a portagem da ponte.
Os que são iguais respiram.
Paul Celan, A morte é uma flor, Edições Cotovia, 1998
maio 02, 2015
maio 01, 2015
Santíssima Trindade
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| ©Josef Koudelka. CZECHOSLOVAKIA. Prague. 1965. Theatre Divadlo Na Zabradli (On The Balustrade) |
"Estragon: Nascemos todos doidos. Alguns ficam doidos toda a vida"
Samuel Beckett
À espera de Godot, Editora Arcádia
abril 29, 2015
Dia Mundial da Dança
Afinal a ideia é sempre a mesma o bailarino a pôr o pé
no sítio uma coisa muito forte
na cabeça no coração nos intestinos no nosso próprio pé
pode imaginar-se a ventania quer dizer
«o que acontece ao ar» é a dança
pois vejam o que está a fazer o bailarino que desata por aí fora
(por «aí dentro» seria melhor) ele varre o espaço
se me permitem varre-o com muita evidência
somos obrigados a «ver isso»
que faz o pé forte no sítio forte o pé leve no sítio leve
o sítio rítmico no pé rítmico?
e digo assim porque se trata do princípio «de cima para baixo
de baixo para cima»
que faz? que fazem? oh apenas um pouco de geometria
em termos de tempo um pouco de velocidade
em termos de espaço dentro de tempo
«vamos lá encher o tempo com rapidez de espaço»
pensam os pés dele quando o ar está pronto
o «problema» do bailarino é coisa que não interessa por aí além
mas são chegados os tempos de agonia
estamos «exaltados» com este pensamento de morte
é preciso pensar no «ritmo» é uma das nossas congeminações exaltadas
na realidade algo se transformou desde que ele começou a dançar
sem qualquer auxílio excepto
não haver ainda nomes para «isso» e haver os ingredientes
do espectáculo i. e. a qualidade «forte» do sítio
e pés
esperem pela abertura de negociações entre «não» e «sim»
hão-de ver como coisas dessas se passam
não vai ser fácil os recursos de designações as acomodações várias
já se não encontram às ordens de vossências
comecem a aperceber-se da «energia» como «instrumento»
de criar «situações cheias de novidade»
vai haver muito nevoeiro nessas cabeças
e ainda «coração caiu-lhe aos pés» o banal
a contas com o inesperado talvez então se tenha a ideia de murmurar
«os pés subiram-lhe ao coração»
pois vão dizendo que exagero logo se verá
também Jorge Luís Borges escreveu esta coisa um nadinha espantosa
«a lua da qual tinha caído um leão» nunca se pode saber
maçãs caem Newton cai na armadilha
quedas não faltam umas por causa das outras
os impérios caem etc. o assunto do bailarino cai
mas sempre em cima da cabeça e estamos para ver
Cristo a andar sobre as águas é ainda o caso do bailarino
«o estilo»
claro que «isto» apavora
a dança faz parte do medo se assim me posso exprimir
herberto helder
Ofício Cantante, Assírio&Alvim, 2009
abril 28, 2015
"Ele espera que reapareçam as árvores, o passeio molhado, os carros com o tejadilho cheio de folhas, o som do violoncelo, para recomeçar, ganhando a cada passo a força para o passo seguinte, dobrado para o chão, atirado para a frente, em passadas trôpegas e rápidas, que acabam numa breve hesitação. É preciso reconhecer um destino em cada passo, reconhecer que o destino de cada passo é o passo seguinte."
Rui Nunes,
Os Olhos de Himmler, Relógio d'Água, 2009
Rui Nunes,
Os Olhos de Himmler, Relógio d'Água, 2009






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