|Assim repito o nome e sinto ainda o incêndio no rosto :|| paul celan |Porque é com nomes que alguém sabe | onde estar um corpo| por uma ideia, onde um pensamento | faz a vez da língua.| herberto helder
maio 17, 2016
#16 , #17
PLAY Jeff Buckley | You & I
16) Liebe Ingeborg,
es ist halb fünf, und ich muß nun zu meinem Schüler. es war unser erstes Rendezvous in Paris, mein Herz klopft ganz laut, und Du bist nicht gekommen. ich muß heute noch zwei Stunden geben, habe weit zu fahren und bin erst gegen drei Viertel neun zurück.
Der Steckkontakt für Dein Bügeleisen steckt in der Lampe; sei aber vorsichtig und schließ die Tür gut zu, damit sie im Hotel nicht merken, daß Du bügelst. Schreibe auch Deine Briefe. Auf Briefe warten ist schwer.
Und denk ein wenig an das, was über mich strich, als ich zu Dir sprach.
Paul
17)
Liebe Inge,
ich [bin] ungefähr 1 Uhr 45 um zurück - kannst Du bitte so lange warten
Paul
14.10.1950, Paris
Ingeborg Bachmann & Paul Celan
Herzzeit: Briefwechsel, 2015 (4. Ed), Suhrkamp
16) Liebe Ingeborg,
es ist halb fünf, und ich muß nun zu meinem Schüler. es war unser erstes Rendezvous in Paris, mein Herz klopft ganz laut, und Du bist nicht gekommen. ich muß heute noch zwei Stunden geben, habe weit zu fahren und bin erst gegen drei Viertel neun zurück.
Der Steckkontakt für Dein Bügeleisen steckt in der Lampe; sei aber vorsichtig und schließ die Tür gut zu, damit sie im Hotel nicht merken, daß Du bügelst. Schreibe auch Deine Briefe. Auf Briefe warten ist schwer.
Und denk ein wenig an das, was über mich strich, als ich zu Dir sprach.
Paul
17)
Liebe Inge,
ich [bin] ungefähr 1 Uhr 45 um zurück - kannst Du bitte so lange warten
Paul
14.10.1950, Paris
Ingeborg Bachmann & Paul Celan
Herzzeit: Briefwechsel, 2015 (4. Ed), Suhrkamp
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| ©Rinke Nijburg | Dawn at 6 PM |
"Qual o significado do choro? O que significa em nós? "
"A
tristeza é sempre um espaço na nossa vida... que está sempre ali, mas
não entramos... até que algo nos leva para um lugar onde... temos de nos
render, desistir e dizer: não sei a resposta. Isto é demasiado para
mim. E esse lugar de rendição significa que... temos de perder a ilusão
de que temos o controlo. Temos de reconhecer que... não traçamos o rumo
da nossa vida, não somos o autor do guião. E que depois de nos rendermos
e irmos para o lugar mais fundo há uma abertura radical. A vida está
organizada de tal forma que chegamos a um lugar que nos faz deter. E a
dor e o lugar inconsolável da melancolia faz-nos ir procurar algo ainda
mais profundo.
O que tem esta música que atinge as pessoas no seu inconsciente colectivo? Grande parte da nossa música preferida, que ouvimos repetidamente ou de que nos lembramos vezes sem conta, é música amargamente triste. É música bem mais triste do que nós. Faz-nos ter noção que a nossa tristeza não é afinal tão profunda. Mas consola-nos porque há alguém ainda mais triste do que nós. É uma das funções mais importantes da música que nos faz seguir em frente. Intenção. Julgo que a música é uma abertura. A música é a abertura para uma experiência cujo fim desconhecemos e não conheceremos o fim. Penso que esse é o encanto da estrutura de Bach. É dizer:
"- Por favor, venham ajudar-me a chorar. "
E a mera ideia de que ninguém deve chorar sozinho é realmente forte. Não é apenas:
"- Por favor, não chores.".
É:
"- Por favor, vem ajudar-me a chorar. Ajuda-me a libertar disto."
E a peça é um convite para nós partilharmos este lugar insuportável e triste e abrir esse lugar, em vez de o manter encerrado, privado, um lugar secreto do nosso sofrimento pessoal." Peter Sellars
Transcrição extraída do documentário "Erbarme Dich: Histórias da Paixão de Mateus"
maio 16, 2016
Abschied
Aber du kamst nie mit dem Abend -
Ich saß im Sternenmantel
...Wenn es an mein Haus pochte,
War es mein eigenes Herz.
Das hängt nun an jedem Türpfosten,
Auch an deiner Tür;
Zwischen Farren verlöschende Feurrose
Im Braun der Girlande.
Ich färbte dir den Himmel brombeer
Mit meinem Herzblut.
Aber du kamst nie mit dem Abend -
...Ich stand in goldenen Schuhen.
Despedida
Mas tu nunca vinhas com a noite -
E eu sentada com casaco de estrelas.
... Quando batiam à minha porta
Era o meu próprio coração.
Agora pendurado em todas as ombreiras,
Também na tua porta;
Entre touros rosa-de-fogo a extinguir-se
No castanho da grinalda.
Tingi-te o céu cor de amora
Com o sangue do meu coração.
Mas tu nunca vinhas com a noite
... E eu de pé com sapatos dourados.
Else Lasker-Schüller (1917) | A Alma e o Caos: 100 poemas expressionistas | Relógio D´Água | 2001 | Trad. João Barrento
Aber du kamst nie mit dem Abend -
Ich saß im Sternenmantel
...Wenn es an mein Haus pochte,
War es mein eigenes Herz.
Das hängt nun an jedem Türpfosten,
Auch an deiner Tür;
Zwischen Farren verlöschende Feurrose
Im Braun der Girlande.
Ich färbte dir den Himmel brombeer
Mit meinem Herzblut.
Aber du kamst nie mit dem Abend -
...Ich stand in goldenen Schuhen.
Despedida
Mas tu nunca vinhas com a noite -
E eu sentada com casaco de estrelas.
... Quando batiam à minha porta
Era o meu próprio coração.
Agora pendurado em todas as ombreiras,
Também na tua porta;
Entre touros rosa-de-fogo a extinguir-se
No castanho da grinalda.
Tingi-te o céu cor de amora
Com o sangue do meu coração.
Mas tu nunca vinhas com a noite
... E eu de pé com sapatos dourados.
Else Lasker-Schüller (1917) | A Alma e o Caos: 100 poemas expressionistas | Relógio D´Água | 2001 | Trad. João Barrento
WAGNER:
Mas - e o mundo? A alma e a mente humanas?
Quem há que não aspire a conhecê-las?
FAUSTO:
Pois é, se conhecer a isso chamas...
Essas coisas, quem pode nomeá-las?
Os raros eleitos que um pouco a conheceram
E, loucos, abriram os seus corações,
À plebe revelando sentimentos, visões,
Esses sempre pelo fogo ou na cruz morreram.
Johann W. Goethe (1749 - 1832) | Fausto | Relógio D'Água | 2ª Ed. | 2013
Mas - e o mundo? A alma e a mente humanas?
Quem há que não aspire a conhecê-las?
FAUSTO:
Pois é, se conhecer a isso chamas...
Essas coisas, quem pode nomeá-las?
Os raros eleitos que um pouco a conheceram
E, loucos, abriram os seus corações,
À plebe revelando sentimentos, visões,
Esses sempre pelo fogo ou na cruz morreram.
Johann W. Goethe (1749 - 1832) | Fausto | Relógio D'Água | 2ª Ed. | 2013
maio 12, 2016
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| ©Irving Penn |
Como duas velhas beatas de cigarro,
a criarem raízes em terrenos inférteis.
Yours, Sincerely
maio 11, 2016
maio 10, 2016
"Born of a light"
| ©raquelsav | "serralharia" |
PLAY Radiohead | Desert Island Disk
| |
Der Dichter und der Krieg
Ich sang die Gesänge der rot aufschlitzenden Rache,
und ich sang die Stille des waldumbuchteten Sees;
aber zu mir gesellte sich niemand,
steil, einsam
wie die Zikade sich singt,
sang ich mein Lied vor mich.
Schon vergeht mein Schritt ermattend
im Sand de Mühe.
Vor Müdigkeit entfallen mir die Augen,
müde bin ich der trostlosen Furten,
des Überschreitens de Gewässer, Mädchen und Straßen.
Am Abgrund gedenke ich nicht
des Schildes und Speeres.
Von Birken umweht,
von Winde umschattet,
entschlaf ich zum Klange der Harfe
Anderer,
denen sie freudig trieft.
Ich rege mich nicht,
denn alle Gedanken und Taten
trüben die Reinheit der Welt.
O poeta e a guerra
Eu cantei os cânticos da vingança em vermelho rasgada,
E cantei o silêncio do lago de baías arborizadas;
Mas ninguém se juntou a mim,
Íngreme, solitário
Como a cigarra se canta,
Cantei o meu canto para mim.
Os meus passos vão-se desvanecendo, extenuados
Na areia do meu esforço.
Os meus olhos caem-me de cansaço,
Estou cansado dos desconsolados vaus,
De atravessar rios, mulheres e ruas.
À beira do abismo, não penso
No escudo e na lança.
Assoprado pelas bétulas,
Ensombrado pelo vento,
Adormeço ao som da harpa
De outros,
Para quem ela escorre alegremente.
Não me mexo,
Porque todos os pensamentos e acções
Turvam a pureza do mundo.
Albert Ehrenstein (1916) | Expressionismo Alemão: Antologia Poética | Ática |
(Trad. João Barrento)
Ich sang die Gesänge der rot aufschlitzenden Rache,
und ich sang die Stille des waldumbuchteten Sees;
aber zu mir gesellte sich niemand,
steil, einsam
wie die Zikade sich singt,
sang ich mein Lied vor mich.
Schon vergeht mein Schritt ermattend
im Sand de Mühe.
Vor Müdigkeit entfallen mir die Augen,
müde bin ich der trostlosen Furten,
des Überschreitens de Gewässer, Mädchen und Straßen.
Am Abgrund gedenke ich nicht
des Schildes und Speeres.
Von Birken umweht,
von Winde umschattet,
entschlaf ich zum Klange der Harfe
Anderer,
denen sie freudig trieft.
Ich rege mich nicht,
denn alle Gedanken und Taten
trüben die Reinheit der Welt.
O poeta e a guerra
Eu cantei os cânticos da vingança em vermelho rasgada,
E cantei o silêncio do lago de baías arborizadas;
Mas ninguém se juntou a mim,
Íngreme, solitário
Como a cigarra se canta,
Cantei o meu canto para mim.
Os meus passos vão-se desvanecendo, extenuados
Na areia do meu esforço.
Os meus olhos caem-me de cansaço,
Estou cansado dos desconsolados vaus,
De atravessar rios, mulheres e ruas.
À beira do abismo, não penso
No escudo e na lança.
Assoprado pelas bétulas,
Ensombrado pelo vento,
Adormeço ao som da harpa
De outros,
Para quem ela escorre alegremente.
Não me mexo,
Porque todos os pensamentos e acções
Turvam a pureza do mundo.
Albert Ehrenstein (1916) | Expressionismo Alemão: Antologia Poética | Ática |
(Trad. João Barrento)
maio 09, 2016
Onde há tristeza, há esperança
| @raquelsav | "Sarrado" | Maio 2016 |
Mesa posta
à conquista do pó:
até ao lavar do prato
é refeição.
Ein Lied
Hinter meinen Augen stehen Wasser,
Die muß ich alle weinen.
Immer möcht ich auffliegen
Mit den Zugvögeln fort;
Buntatmen mit den Winden
In der großen Luft.
O ich bin so traurig - - - -
Das Gesicht im Mond weiß es.
Drum ist viel sammtne Andacht
Und nahender Frühmorgen um mich.
Als an deinem steinernen Herzen
Meine Flügel brachen,
Fielen die Amseln wie Trauerrosen
Hoch vom blauen Gebüsch.
Alles verhaltene Gezwitscher
Will wieder jubeln
Und ich möchte auffliegen
Mit Zugvögeln fort.
Uma canção
Por detrás dos meus olhos há águas,
Tenho que as chorar todas.
Tenho sempre um desejo de me elevar voando,
E de partir com as aves migratórias.
Respirar cores com os ventos
Nos grandes ares.
Oh, como estou triste...
O rosto da lua bem sabe.
Por isso, à minha volta há muita devoção aveludada
E madrugada a aproximar-se.
Quando as minhas asas se quebraram
Contra o teu coração de pedra,
Caíram os melros, como rosas de luto,
Dos altos arbustos azuis.
Todo o chilreio reprimido
Quer jubilar de novo
E eu tenho um desejo de me elevar voando,
E de partir com as aves migratórias.
Else Lasker-Schüller (1917) | Expressionismo Alemão: Antologia Poética | Ática |
(Trad. João Barrento)
Hinter meinen Augen stehen Wasser,
Die muß ich alle weinen.
Immer möcht ich auffliegen
Mit den Zugvögeln fort;
Buntatmen mit den Winden
In der großen Luft.
O ich bin so traurig - - - -
Das Gesicht im Mond weiß es.
Drum ist viel sammtne Andacht
Und nahender Frühmorgen um mich.
Als an deinem steinernen Herzen
Meine Flügel brachen,
Fielen die Amseln wie Trauerrosen
Hoch vom blauen Gebüsch.
Alles verhaltene Gezwitscher
Will wieder jubeln
Und ich möchte auffliegen
Mit Zugvögeln fort.
Uma canção
Por detrás dos meus olhos há águas,
Tenho que as chorar todas.
Tenho sempre um desejo de me elevar voando,
E de partir com as aves migratórias.
Respirar cores com os ventos
Nos grandes ares.
Oh, como estou triste...
O rosto da lua bem sabe.
Por isso, à minha volta há muita devoção aveludada
E madrugada a aproximar-se.
Quando as minhas asas se quebraram
Contra o teu coração de pedra,
Caíram os melros, como rosas de luto,
Dos altos arbustos azuis.
Todo o chilreio reprimido
Quer jubilar de novo
E eu tenho um desejo de me elevar voando,
E de partir com as aves migratórias.
Else Lasker-Schüller (1917) | Expressionismo Alemão: Antologia Poética | Ática |
(Trad. João Barrento)
maio 05, 2016
|O mundo não perdeu apenas Deus, perdeu também o Diabo|
"Mas então Paul Arnheim avançaria e diria ao Senhor: ‹‹Senhor, para quê? O egoísmo é a qualidade mais confiável da vida humana. O político, o soldado e o rei conseguiram, com a sua ajuda e muita astúcia e força, pôr ordem no Teu mundo. É esta a melodia da humanidade. Tu e eu temos de o aceitar. Abolir a força seria enfraquecer a ordem. A nossa missão é dar ao homem a possibilidade de fazer grandes coisas, apesar de ser um bastardo!››
(...)
‹‹Mas não será o dinheiro um método tão seguro de tratamento das relações humanas como a força, e não nos permite ele dispensar o uso ingénuo dela? É uma violência espiritualizada, uma forma especial de violência, flexível, requintada e criativa. Os negócios não se baseiam na astúcia e na força, na obtenção de vantagens e na exploração? A diferença é que são atitudes civilizadas, transpostas para a interioridade, como que mascaradas com a aparência da sua liberdade. O capitalismo, enquanto organização do egoísmo segundo a hierarquia das forças que permite fazer dinheiro, é mesmo a maior e mais humana das ordens que conseguimos criar em Tua honra. Não há medida mais exacta do fazer humano!››"
Robert Musil (1880-1942)
O Homem sem Qualidades, Dom Quixote, 2014 (4.ª Ed.)
(Trad. João Barrento)
"Mas as grandes almas precisam de legitimidade. Nas horas mais solitárias, sentem o rigor vertical do universo. E o homem de negócios, embora domine o mundo, admira a realeza, a aristocracia e o clero como suportes do irracional. Pois o que é legítimo é simples, como tudo o que é grande, e não precisa do entendimento. Homero era simples. Cristo era simples. Os grandes espíritos chegam sempre aos mais simples princípios; temos mesmo de ter coragem de dizer: a lugares-comuns da moral. Em suma, ninguém tem tanta dificuldade em agir contra a tradição como as almas verdadeiramente livres."
Robert Musil (1880-1942)
O Homem sem Qualidades, Dom Quixote, 2014 (4.ª Ed.)
(Trad. João Barrento)
maio 04, 2016
| ©raquelsav | "Sarrado" | Maio 2016 |
Podia ler nos homens o adensar do grito,
num canto que não chegou nem perto.
Podia tentar amanhã,
ou num dia em que a sorte não chegue tão tarde.





